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domingo, 12 de outubro de 2014

A infância guardada em retratos

Além das fotografias guardadas em uma caixa preta, onde deposito resíduos do passado, no meu âmago, ainda existe uma criança. Uma criança ávida de liberdade e de compreensão, quase que um pássaro perdido no ninho. Não queria ter crescido, queria cometer o mesmo pecado que o Peter Pan, ser criança para sempre e para sempre ser criança, mera inocência, não é possível, ou é?
Ainda é possível sim ter hábitos infantis, ser criança por dentro, por mais que não se possa voltar no tempo, até porque ainda não existe máquina do tempo, porque se existisse, com certeza, sem sombra de dúvidas, eu entraria nela e mandava voltar pelos anos de 1998, 99, 2000 e viver a melhor época da minha vida: a infância. 
Saudades dos sábado  onde as crianças da minha rua formavam verdadeiras gangues, onde brincávamos partidas intermináveis de bila,  quando cansávamos lá vinha a ideia de brincar de carimba, de pega pega , de esconde esconde e da minha brincadeira preferida: jogo dos sete pecados, onde é fazíamos um enorme círculo no chão com giz, e as crianças ficavam dentro desta redoma e um chamava o nome do outro e gritava: PÁRA! Tínhamos que fica estátuas, feio múmias, o jogador contava sete passos do círculo e jogava a bola, quem  ficasse inerte ao ataque corria para dentro do círculo e estava salvo, ô época boa. 
Só era ruim brincar com bola, porque de vez em quando, um inábil vinha e chutava a bola para a pista e ploft, a nossa brincadeira estava acabada por conta que os carros não perdoavam, passavam pela bola e a espocava, era triste, quase que uma matança. Já assistir a verdadeiros massacres de bolas infantis, o jogo acabava, a partida estava perdida. Mas como criança não desiste fácil das coisas, invetávamos outra brincadeira e mais outra e mais outra até que nossos pais nos chamassem para entrar em casa, era o fim. 
Já contei que a minha infância daria um livro, quem sabe um dia eu não sento e escrevo todas as lembranças que eu tenho daquele tempo? Acho super possível, tenho tudo gravado na minha caixola, no meu coração e na minha imaginação. Essa semana mesmo, me peguei lembrando do meu tempo de criança, das minhas birras, dos meu choros, das minhas proibições e descobertas. 
Aprendi muito na infância  vivi ao máximo a época que segundo os especialistas, é a mais importante na vida de uma pessoa, sendo capaz de determinar o futuro do indivíduo. Meio que acredito nisso, sempre gostei de escrever contos quando era pequenos, estórias sem pé nem cabeça, pegava livros na biblioteca que eu jamais imaginaria que lesse quando fosse grande, é engraçado de ver isso. 


                                            
Termino esta crônica com uma dor no peito, com uma saudade inflamada, com um sonho de voltar ao tempo, mas ao mesmo tempo com um orgulho no coração. Eu vivi com muita intensidade a minha época de criança, com liberdade, com inocência, com carinho, com segurança dos meus pais, naquela época o mundo ainda não era tão nefasto e assustador como hoje. Hoje não temos a segurança de deixar os nosso filhos no meio da rua, brincando com os amigos, o cotidiano das páginas policias não nos deixa mentir: está perigoso. Já passou o meu tempo, chegou o tempo para outros, e espero profundamente que estes outros vivam como eu vivi, dentro do limite das circunstâncias que nos encontramos hoje, viva a infância, essa doce experiência que plantou em mim e não sai mais nunca, não quero perder os sinais infantis, quero apenas viver em harmonia entre a maturidade e a infância. Ser criança todo mundo já foi, agora é tempo de ser adulto. 





Eduardo Sousa


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Not Impossible


Será possível falar do impossível? É um desafio para qualquer um que ouse tentar. E veja como nos surpreende a cada momento que acontece! Porém se acontece, nem é tão impossível assim, não é mesmo? Um filósofo já disse que nossos sonhos devem ser irreais, pois à medida que os conquistamos, os deixamos de lado e partimos para outro. 
Verdade. Mas o bom é quando ele acontece quando menos se espera. O nosso querer deveria estar contido no subconsciente, pois tudo que é bom deveria ser exposto na minha singela surpresa. Buscar algo é muito bom, conquistá-lo, melhor ainda; caso ele aconteça quando menos se espera e ainda de forma mais prazerosa… perfeito! Deixo o prazer da busca somente para os filósofos. 
Quero atingir cada sonho. Uma vida sem meta é uma vida sem propósito. Por mais imprevisível que um indivíduo possa ser, nada mais importante no viver do que colocar sentido à vida. Mas não me deixe ser um homem de um prazer só. Meu prazer é ter prazer de todos prazeres da vida. E não existe o impossível. Não pelo menos sonhos. Se hoje é impossível, é porque você ainda não sonhou com sua realização.




Eduardo Sousa 

domingo, 28 de setembro de 2014

Planos


Todos nós passamos por fases difíceis. No trabalho, na faculdade, com a família, em relacionamento. De repente, tudo dá errado, na mesma hora. E nos perguntamos o motivo... e nada de respostas. Tentamos desesperadamente resolver, buscamos saídas, erramos tentando acertar. Muitas vezes até envolvemos outras pessoas, achando que será bom, será certo e no fim, não é. E assim é a vida. No fim, eu só estava tentando VIVER. Assim como todos voc:ês fazem, acertam, erram.
Hoje, a vida novamente me coloca no caminho. Ainda não sei o que será, mas espero que seja cheio de felicidade. Minhas expectativas saõ as melhores. E os dias, seguintes uns dos outros, me mostram o brilho das minhas escolhas. Nem tudo está como planejei. Sonhei tudo e a vida me acordou diversas vezes com a realidade. Só foi bom porque aprendi que não tem jeito, é um dia de cada vez MESMO. Meus cálculos foram derrubados e no final, o resultado foi "X", a letra mais abrangente da matemática, ou seja, o resultado não foi. 
E o que ainda me aflige, é a inquietude dessa incerteza. Um geminiano nunca se conforma com o que não é ainda. Ele quer que seja já, na hora dele. Quer abraçar o mundo com as pernas. 
Mas mesmo assim, olho para um ponto específico da minha vida hoje e vejo meu futuro logo ali, no feliz, realizado. Olho e vejo tudo acontecendo como planejamos tanto. Ninguém, nem mesmo nós, disse que seria fácil. Mas disso, veio a esperança e a força e eu continuo acreditando. 
Não importa como será, mas será.  Será bom, será válido de alguma forma. Só peço a Deus que me dê a paciência necessária para esperar... enquanto isso, eu confio na certeza de que os planos Dele, são imensamente maiores do que os meus. 


Eduardo Sousa 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A arte de acordar

Quem me conhece ou já dormiu comigo( falo dormir comigo pensando no lado bom da coisa e não do que a sua imaginaçãozinha fértil deve estar visualizando) sabem : eu odeio acordar cedo e quem me acordar cedo, merece todo o meu desprezo e rancor. Não consigo também acordar sozinho, se já é ruim o simples fato de ter que acordar cedo, sozinho é quase que impossível isso acontecer. Acho que já devo ter contado isso algumas vezes, mas vale frisar, quem me me acorda é a minha mãe, então lá pelas tantas do início da manhã, minha delicada mãe, pronuncia meu nome abreviado Edu... acorda filho. É bom escutar a voz dela, aliás é a certeza de que vencemos mais um dia, mais um dia de vida nos foi concedido, eu ela, ela e eu. Mas por outro lado, sei que vem chumbo grosso pela frente, essa voz dela também me chama para a realidade, realidade de estudos, de trabalhos, de provas, de freelas, de isso e aquilo e aquilo outro. É complicado mon'amour é complicado. 
Odeio profundamente a criatura infernal que criou o sistema de vinte e quatro horas e finais de semana, por mim, seria semana apenas dois dias e o resto, seria tudo de descanso e lazer e conversas na beira de estradas ou fim de festas em postos de gasolina,  sair com amigos, ler Marçal de Aquino ou um guia de uma cidade que você quer muito conhecer, mas não! Não é assim que acontece, não é assim que esfola um bode, não é assim que a banda toca.
A banda toca de outro jeito, com outras obrigatoriedades e complicações e responsabilidades e compromissos e deveres e blá blá blá. Acordar cedo é um insulto, uma deformidade, uma calamidade. Eu me sinto até injustiçado pelo simples fato de acordar e dizer: " mas já, eu deitei agorinha pouco para dormir e já tenho que acordar", isso é chato, é ruim. Na época de colégio, acordava para ir para aprender as palavras paroxítonas, proparoxítonas e oxítonas, hiatos, dígrafos, adjuntos adverbiais e nominais e outros assuntos, não queria nada disso, queria apenas praticar a palavra oxítona mais bonita que eu acho: dormir, com sílaba tônica no i, para dar mais ênfase no sono profundo. 
Quando estou dormindo não tem telefonema, não tem fogo, não tem tiroteiro, não tem plantão televisivo, fofocas, nada, nadinha me acorda do meu estado de hibernação. Durmo, sonho, às vezes sim, às vezes não, deito, fecho os olhos e entro na máquina do tempo e clico em retroceder dois anos, ou apenas dois meses. Isso sim que é legal. 
Agora no lugar de ir à escola, vou para o jornal, para a faculdade, para compromissos adultos, para conversas mais sérias, para críticas mais verdadeiras, para a realidade, e mesmo assim, com essa idade que tenho, ainda continuo intacto nesta situação, acordar cedo é uma arte, uma arte para os fortes, que assim como eu tentam e muitas das vezes, conseguem driblar esse vilão, o sono. 




Eduardo Sousa 



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Sexo é poesia!

O novo trabalho já nasce batendo recordes, pois os dois primeiros singles lançados, “Hey Nana” e “Mais Ninguém”, em uma semana alcançaram o topo do iTunes, assim como a pré-venda do CD, que ficou uma semana em segundo lugar.
Eu lembro como se fosse hoje. A professora de ciências humanas e sociais dando aula sobre o corpo humano, falando sobre os órgãos genitais masculinos e femininos, descrevendo todos os detalhes, informando-nos sobre  as nossas próprias características e um monte de meninos e meninas rindo descontroladamente ao escutar a pronúncia das palavras vagina e pênis. As meninas ficavam vermelhas de vergonha, tanto que desejavam sair da sala. Os meninos não demonstravam  a vergonha mas sim a infantilidade , característica comum dos meninos durante a puberdade. Quem é menino, sabe bem do que eu estou falando. A professora, coitada ficava vermelha, não de vergonha, mas sim de raiva. indagava para si mesmo “como é que pode esses meninos não levam a sério um assunto tão sério” e aí em diante. Eram assim, todas as minhas aulas de ciências, tenho até saudade.

Mas, me encontrando em um cenário totalmente diferente, quer dizer, mais ou menos diferente do que a escola: a faculdade. E aí nesse ponto que eu quero chegar nessa crônica, pois até na faculdade, tem gente que não pode escutar alguma palavra relacionada às partes do corpo humano ou mesmo temas relacionados ao sexo, que querem tirar o seu corpo fora, começam a rir, não levam a sério, fazem que nem os meus colegas do 5° ano, imaturos e infantis. É uma coisa feia, admito para vocês. Um marmanjo que entre as quatro paredes faz sabe Deus lá o quê, fica com vergonha de falar sobre sexo, conta para os amigos que não gosta de falar sobre isso ou sei lá o quê, isso é vergonhoso, falta de maturidade. As menininhas, todas jovenzinhas, santinhas, jamais falam sobre sexo, mas quando vamos pesquisar sobre o histórico da mesma, ficamos pasmos ao saber das histórias loucas e absurdas que ela faz ou fez ou ainda fará.

É preciso maturidade, é preciso quebrar regrar, tabus, sexo é sexo, sexo é vida. Como nasceríamos se não fosse através do ato sexual dos nossos pais? Certo que hoje em dia, há outras formas de gerar uma criança, os médicos de inseminação artificial, ganham horrores de dinheiro. Mas é isso, é preciso ter consciência, saber conversar sobre sexo como qualquer outro assunto. Os pais escutem as duvidas sobre esse e demais assuntos de seus filhos, isso será de extrema importância para eles em um futuro bem próximo. Os filhos, não tenham vergonha de perguntar os seus pais sobre o que é sexo, não tenham vergonha, vergonha é ser pai/mãe adolescente, sem nem ter tirado a caatinga do mijo, como o povo diz.

Vamos falar mais sobre sexo, sobre fantasias, tirar dúvidas, fazer perguntas, especulações. Amor é prosa, sexo é poesia, então seja poético.


Eduardo Sousa 

sábado, 6 de setembro de 2014

Vai que...

Eu acho que não existe uma pessoa que goste de espera. Esperar é ruim, e esperar pelo que não vem é pior ainda. Odeio filas e quaisquer situações que pare o meu tempo. Quão enfadonhas e chatas são as filas de bancos, onde cada qual está  com o seu problema, esperando por sua vez, que é anunciada pelo barulho horrível daquele sinalizador gasguito. Digo horrível, pois quando pensamos que é o nosso número, não é, aí amigo é sentar esperar. Pega uma revista, um folheto, leva um livro, faz qualquer coisa para não ficar parado naquela fila. Fila é como se fosse a ante-sala do inferno. Todo mundo esperando a sua vez e quando chega, puf!
Ônibus e sua similaridade com navios negreiros. Não digo isso por ser racista ou coisa parecida, longe de mim, qualquer preconceito, mas convenhamos caros colegas, os ônibus tem um pouco de navio negreiro. Além de demorar para passar nos pontos obrigatórios e fazer-nos esperar milhares de minutos, quando adentramos o transporte, está tudo lotado. Aí entra a parte do navio negreiro, todos nós passageiros sendo sacolejado de um lado para o outro, dependendo do humor do senhorzinho ou da sinhá, mais conhecido como motoristas. Peço que me entendam quando falo sobre isso, não sou racista, mas acho que ônibus e navio negreiro, têm as suas características iguais.
De fato, esperar não é bom, mas tem lá as suas qualidades, poucas, mas são qualidades. Estava eu numa fila com mais ou menos seis pessoas em uma clinica odontológica. Eu odeio filas e ainda mais quando pego para fazer algum procedimento demorado, relacionado à saúde. Tremo na base, mas não tenho medo de dentista, tenho medo de outras coisas, mas não de dentistas, nem tão pouco da cadeira dele, admito que só o que me incomoda é o barulhinho da obturação, mas neste dia não tinha ido fazer isso e sim uma aplicação de flúor. Beleza, sou o primeiro a chegar, então serei o primeiro a ser atendido, pois bem. Já conhecendo a dentista que eu tenho, levei um livros de crônicas, Non Stop da Martha Medeiros para ler e passar o tempo. A leitura estava atrasada há dias, enrolava, enrolava, enrolava e não terminava o livro. Cada crônicas com mais ou menos uns quatro ou cinco parágrafos no máximo. Li todos de uma vez só, li tanto que meu ficou dolorido. Então uni o meu descontentamento de ficar naquela fila, mesmo sentado, esperando a dentista chegar ao meu grande prazer que é ler. Li, terminei todas as crônicas e a in(feliz) da dentista não havia chegado. Então tomei dois copos de água, incomodei um pouco as pessoas com o barulho da mensagem que tinha chegado no  meu celular e quebrei o silêncio da sala quieta ao amassar os copos descartáveis. Peguei uma edição da revista Super Interessantes e folheei, até que, tcharam! A dentista chegou e eu abri um sorriso meia boca, um tanto de alegria por ela ter chegado e um tanto de ódio, por ter demorado tanto. 
Acabado o processo fui embora, feliz da vida, sabendo agora que as filas tem os seus lados bons, por mais que sejam poucos têm. Vai que numa dessas filas intermináveis, filas de cinema, de show, de banco, de hospital, seja ela qual for, você encontra o amor da sua vida? Nunca aconteceu comigo, mas vai que... 




Eduardo Sousa. 

domingo, 24 de agosto de 2014

Parede com parede


Quem nunca teve um vizinho na vida que levante a mão. Quem nunca teve, não quer ter. Eu já tive, já tenho e pretendo não ter pelo resto dos meus dias. Mas isto é quase que impossível. Mesmo que você vá morar isolado na Antártida ou na Rússia, sempre haverá um vizinho pra ti, mesmo que seja a tua sombra, ela será a tua vizinha. 
Vejamos pelo lado bom da coisa. Vizinho ajuda muito a gente na hora que estamos precisando não? Quem nunca parou na hora de fazer o almoço por conta que o sal tinha acabado e foi na casa do vizinho pegar um xícara de sal, de açúcar ou derivados? Eu fui por conta de minha mãe, que sempre me mandava na casa da vizinha pra pedir alguma coisa que tinha faltado, ambas se ajudavam, quando faltava leite na casa da vizinha lá ia ela toda toda pedir na minha casa, era assim, ambas se ajudavam.
Vizinho também serve na hora das desventuras que você passa na vida. Um dia desses perdi a chave da minha casa, não sabia onde tinha colocado, talvez tivesse deixado cair na rua ou deixado no jornal ou na faculdade ou na casa de algum amigo, ou sei lá, só sei que não estava na minha bolsa, onde era o seu lugar de origem. Olhei para a fechadura e quase chorei. Ficaria horas e horas no meio da rua, no sol escaldante de Fortaleza, esperando a minha mãe chegar ou alguém que pudesse me ajudar. E para piorar a situação , eu não estava com o meu celular, tinha esquecido em casa. É meu caro, você já deve ter me julgado, sou lesado sim, lerdo, esqueço coisas que não deveria esquecer e me lembro de coisas que deveria esquecer, mas enfim...
A fome, a sede, o sono, todos os males de uma pessoa corriqueira e multitarefada do que eu começou a aparecer. Mas daí que minha vizinha, uma diva na hora, me ajudou, deixou eu ficar na casa dela até minha mãe chegar. Eu que não sou muito chegado a vizinho, fui né, fazer o quê, tudo tem a sua primeira vez. Entrei na casa, tomei água, comi panqueca e coca cola, o almoço da vizinha e esperei a minha mãe chegar. Um ponto os vizinhos não gente?
Mas nem só de bons vizinhos uma pessoa vive. Já tive e tenho vizinhos ruins, maus.  Digo no sentido cultura. É cada um praticando os seus crimes musicais que já não se enquadram nos crimes da poluição sonora. Um antigo vizinho escutava Bob Marley, até aí tudo bem, mas logo mudava para escutar raça Negra. Minha mãe que gosta da tal começava a cantarolar e apostava até alguns passinhos. O outro vizinho, um nerd que usava preto todos os dias, escutava Beatles, mas logo após escutava Nirvana, aqueles gritos estrondosos. E eu ficava è flor da pele, no meio da poluição sonora dos meus vizinhos, querendo assistir uns filmes simplórios que não fazia mal a nenhum vizinho. 
É preciso citar também o poder da fofoca entre os vizinhos. Esta é uma características deles. A fofoca, as injúrias que são contadas, as pieguices que são ditas, as falsas amizades que rodeiam o mundo dos vizinhos. Disto, não podemos escapar, os vizinhos são para sempre, cada qual no seu lugar, cada qual na sua casa, cada qual com as suas fofocas.
E se um dia alguém escrever sobre um vizinho que escuta Guns and Roses, Lana Del Rey e Clara Nunes na madrugada, que assiste documentários sobre cinema e jornalismo e grita alto versos e pensamentos de Clarice Lispector e Frida Kahlo, este sou eu. Me avisem por favor! 




Eduardo Sousa 

domingo, 10 de agosto de 2014

Hoje é dia de saudades


Dia dos Pais, mais conhecido também como dia das saudades. Há tantos pais sem filhos e tantos filhos sem pais. Não conheço a dor de se perder um filho, mas a de se perder um pai eu sei e não desejo a nenhuma pessoa. É triste, muito triste, ver partindo uma pessoa que abaixo de Deus é o integrante maior de sua existência, nossos pais, nossos criadores, nossa base. 
Há mães que fazem o papel de pais e mães ao mesmo tempo e de pais que fazem  a mesma função. Minha mãe, por vias do destino se apropriou desse papel em 2010, quando o meu querido pai veio a nos deixar. Nos deixou triste pela sua partida, nos deixou desamparado pois não teríamos mais a nossa figura masculina dentro de casa, a figura da autoridade, do líder da família. Minhas irmãs também se apropiaram da função de pai para mim, para elas mesmas, para minha mãe, foi aí neste momento que minha família se uniu mais, na dor e na tristeza.
Hoje a dor está um pouco cicatrizada, pois como ele mesmo dizia, "a  vida segue", "a vida urge". A saudades tomou conta das dores ficadas no passado, o cotidiano passou a se acostumar com a falta do papai na nossa casa. Sua figura além de estar dentro dos nosso corações, está também em cada cômodo da casa, está nos quadros, está nas fotografia velhas, pretas e brancas, coloridas, recentes, antigas, amareladas e são através delas que poderei contar um dia quem foi o meu pai, quem foi a nossa família. 
Neste domingo, dedico esse espaço à memória de meu pai, do meu ente querido, do meu companheiro, do meu verdadeiro amigo, do meu velho. Tenho a plena convicção de que onde quer que eu vá, mesmo que eu não vá a lugar nenhum, ele sempre vai estar presente comigo, mesmo pela ausência indelével, sua figura vai estar comigo, no meu pensamento, na minha assinatura, no meu sobrenome, no meu coração  até chegar o momento da minha vez de ir, da hora agá, da hora que todos os seres passarão, uns mais cedo que os outros, como o meu pai e outros mais tarde,  pode demora, mas um dia chega.  Meu maior medo da morte é o esquecimento, uma coisa que meu pai nunca, nunquinha passará. Te amo meu pai. Feliz dia da saudade. 


Eduardo Sousa 

domingo, 3 de agosto de 2014

Roupa branca atrai bebida


Não sei se você vai concordar comigo, mas para mim tenho a certeza de que roupa branca, seja ela qualquer peça: blusa, camiseta, calça , short e até mesmo as peças íntimas, todas elas atraem líquido, digo líquido me referindo à bebidas, à desastres de algum lesado ou lesada.  Me entenda que eu sou expert no assunto, não de usar roupas brancas, pois sou adepto sempre do pretinho básico, gosto do branco, mas com o preto me divirto mais e sim de derrubar bebidas, comidas  e derivados nas pessoas. Já fiz várias vítimas, poucas vezes fui vitimado, ganho em disparada no quesito desastrado.
Ontem mesmo ao sair com alguns amigos para uma comemoração de última hora de aniversário de um colega de infância, cometi mais um crime. Derrubei um sex on the beach (traduzinho para o portugûes: sexo na praia- risos) todo na roupa do meu amigo. E qual era a cor da peça? Branca! White! Blanc! Entre a música que tocava absurdamente alta pedi as minhas míseras desculpas e tentei resolver o assunto do meu jeito. Peguei alguns lenços, guardanapos e comecei a secar. Pense na cena: um bar lotado, uma música estrondosa, meu amigo bêbado e eu secando a roupa da criatura. Não é um mico? É! Aí é que entram as figuras do seus amigos, todos rindo e falando bem cearense "mangando" de você, claro todos tri, ultra, hiper bêbados, por isso não levei tão a sério isso. Passado o susto, tudo se acalmou e foi aí conclui para mim mesmo que roupa branca, seja ela de qualquer marca, qualquer  tamanho, qualquer tecido, todas, digo todas atraem bebida. Acho que são belas papudinhas que adoram ficar encharcadas de álcool, de refrigerante, de suco, de chá, de água, de líquido. 
Depois desse crime, relembrei de outros que já havia cometido, mas dessa vez foi com a ajuda de minha irmã mais velha e da minha mãe. Preste atenção na situação que vou lhe contar agora, meu caro amigo. Estávamos comemorando em um restaurante, o aniversário da minha irmã mais velha, todo mundo junto, toda a família, pai, mãe, filhos, tios, primos enfim, all together. Depois de muitas bebidas, música, pizza e conversa, eu sou o primeiro a atirar. Derrubo um copo de coca cola, um copo se não me engano deveria ter uns 250 ml cheio de refrigerante na camisa branca-nova do marido da minha irmã, meu cunhado. Claro que foi sem querer, não pense que sou mau a esse ponto. Quase ninguém ligou, nem o próprio vitimado, disseram que isso acontecia, ele educado limpou a camisa e esperou secar, até que secou. Minha irmã mais velha, a aniversariante, propôs um brinde pela sua data de nascimento e pelo momento familiar que estávamos tendo. Ok, todo levantaram seus copos, suas taças, seus drinks particulares e tim tim! Brindamos lindamente, um brinde que merecia foto, pois ao colocar o copo sobre a mesa minha irmã despejou um copo de vinho tinto na camisa branca já vitimada de meu cunhado. Todos ficaram boquiabertos, o que aquele rapaz fez por merecer isso? Minha irmã do meio, descontrolada como sempre, começou a falar besteiras, dizendo que teríamos que pagar a blusa, pois tinha sido muito cara, que isso que aquilo e aquilo outro. O cunhado calado estava calado ficou, também com dois acidentes desse em cima dele é de ficar sem palavras mesmo. 
Pedidos de desculpas feitos e aceitos, partimos para a saideira. Eu fui de tequila, alguns cervejas e minha mãe de conhaque. Foi aí que o terceiro ato aconteceu, ao desequilibrar o copa na sua mão, minha mommy derramou toda a bebida na camisa de quem? Adivinhe de quem? Isso mesmo do meu cunhado, pobre coitado. Em um só noite levou banho de refrigerante, vinho e conhaque, todos na mesma blusa, no mesmo dia. Isso não poderia estar acontecendo, coitado. Uma vez tudo bem, mais três vezes, ou é falta de sorte ou é muito azar, não acham não? 
Depois dessas e outras volto a dizer, que roupas brancas são alcoólicas, são papudinhas, são bebarronas, são boêmias, querem todo o tipo de bebida, quente, fria, amarga. As bebidas se sentem atraídas por esse ímã claro, querem diluir-se nos tecidos, nas camisas tão bem passadas, nas peças tão bem feitas, querem realmente acabar com a festa. E se o camarada já não estiver para lá de Bagdá ou vendo estrelinhas realmente vai acabar a festa. Pois convenhamos é uó todos estarem limpinhos, com seus belos drinks na mão, conversando civilizadamente e você baleado por álcool, vitimado pelos desastres alheios e também seus, é de acabar com qualquer festa, qualquer comemoraçãozinha que seja, é trash. 
Isso poucas vezes aconteceu comigo e eu que não perdoo nem eu mesmo, fingo que está tudo bem, mas por dentro rogo todas as pragas existentes na criatura, que ela quebre a perna, que todos os seus drinks caiam, que ela quebre a torneira da pia quando for ao toilette, todas as pragas, piores do que a do Egito, eu sei que isso não é legal, mas não compartilho as idéias com ninguém, basta o meu eu lírico que fica escrevendo e fixando a imagem da criatura que fez aquilo, para que em um futuro breve eu venha fazê-lo do mesmo jeito, desculpem, mas sou vingativo.
Então caros amigos e amigas, boys and girls, quando usarem roupas brancas fiquem longe de pessoas desastradas como eu. Quando tiver tomando café, ou quando tiver tomando chá com biscoitos de polvilho, ou quando tiver tomando um refrigerante em um sábado quente, ou uma limonada, ou um drink, uma cerveja, um soro. E para os desastrados de plantão, não se sintam inibidos, não parem suas vidas por causa desses distúrbios que vos acometem , o que indico é andar com um grande cartaz avisando: Mantenha distância, por favor.  Fica a dica. Beijos. 









Eduardo Sousa 


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Apagão literário

O mês de julho costumava ser mais feliz, mais festeiro, mais amável. Não sei se por conta dos resquícios das festas de São João e também pelas tão esperadas férias, o mês significava muito para várias pessoas. Um mês neutro. Um mês nem fede nem cheira. Por mim, julho passava os seus trinta e um dias rápido feito um foguete entrando em órbita.
Mas desta vez está sendo diferente.O mês nem chegou na sua última semana e várias coisas têm acontecido. Um exemplo disso é a morte de três escritores brasileiros e a queda de dois aviões, um na Rússia e um em Taiwan, sem falar no avião que ainda está desaparecido, desde sei lá quando. Primeiro João Ubaldo, depois Rubem Alves e agora Ariano Suassuna, tudo no mesmo mês, no mesmo ano, na mesma vida.
É uma perda irreparável para a literatura brasileira? Sim, claro que é, pois os leitores dos respectivos escritores terão que se conformar com obras póstumas, com releituras, com adaptações , nunca mais o original. Isso é chato e ate mesmo injusto, levar três escritores assim quase de uma cartada só pode ser brincadeira com a gente né não? Mas não há quem possa com isso, chegou a hora é fatal, todos nos iremos passar por esse acontecimento forte nas nossas vidas, um acontecimento que não saberemos como iremos reagir, como será a pós-morte, a ante vida, um segredo, um mistério.
Consagrados e velhos e milhares de adjetivos para esses três e outros que já se foram, saem de cena para entrar futuros escritores, não iguais, pois são insubstituíveis, mas com marcas, com estilo, com jeito desses que se foram.
Os religiosos pode até me criticar mas sabe o que eu acho que está acontecendo nessa hora no céu? Uma grande bienal do livro celeste, onde são escritos os livros da vida, da nossa vida, com a nossa historia e nosso destino. Agora termo Rubem, João e Ariano para ajudar a movimentar este enredo da nossa vida, dá mais movimentação, mais sonho, mais poesia. (Pronto, podem me julgar)
Ja imaginou aí Clarice Lispector abraçando Rubem Alves? Raquel de Queiroz batendo um papo com Ariano?
Caio Fernando e João Ubaldo conversando sobre poesias e pigmentos de amor? Eu imagino, estou a imaginar.
Só quero que o presente mês passe mais rápido, que agosto (o que tem fama de ser o mês do desgosto) venha curar as cicatrizes deijadas pelos acontecimentos julinos, pelas perdas, pelas ultimas crônicas , últimas poesias, ultimos contos, últimos romances, últimos abraços. O que nos resta é continuar aqui na labuta, caminhando um passo de cada vez para assim marcamos nossa geração como os tais.











Eduardo Sousa

domingo, 20 de julho de 2014

Tons de domingo

Porque o domingo é tão tedioso? Alguem tem a resposta?, porque se tiver meu amigo, seja legal comigo e me diga o motivo e me dê de brinde o antídoto contra o tal domingo. 
Antecessor da temida segunda-feira e sucessor das ressacas oriundas do sábado, o domingo fica no meio desses dois dias tao significativos para quem é uma pessoa noturna como eu.  Sabe aquela frase que diz que  de noite todo gato é pardo?  Concordo em gênero, número e grau. 
Noturno,não diurno, se dá bem na night, prefere ou troca a noite pelo dia, escreve melhor à noite, assim como pensa e toma decisões importantes melhor à noite. De dia, emotivo, de noite, racional. No sábado, brilhante. No domingo, tedioso. Na segunda, sem palavras. 
Mas é preciso amar o domingo meus caros, por mais tedioso, chato, solitário, triste que ele seja, é preciso domá-lo feito um leão, colocá-lo na palma da mão. 
Faça alguma coisa que te dê vontade de quebrar as barreiras dominicais, como o sono, o tédio, a preguiça, a ressaca, enfim. Vá ler, escrever , escutar jazz ou blues ou reggae ou rock, vá assistir os times de Wood Allen ou até mesmo os filmes adolescentes, vale tudo no domingo, menos ser domingo. 
É preciso estar endomingado para fazer certas coisas. Use aquela roupa do seu closte repaginado, nada de pretinhos básicos, tons pretos combinam maia com as segundas do que com os domingos. 
Chame seu amigo, paquera, rolo, namorado, marido ou seja lá a debominacao que você usa e vá assistir uma peça teatral, pegar um cineminha do shopping, passear pelas praças, ah por falar em praças, elas são ótimas para desfrutar de um domingo saudável e prazeroso, nada melhor do que uma boa companhia, uma limonada com o cenário de uma praça e com um bom fundo musical, talvez Amy ou Vanessa, tanto faz. 
Se você preferir tomar alguns bons drinks e terminar de dissolver o álcool do sábado, vá em frente, mas não esqueça que no dia seguinte tem trabalho, tem labuta, tem tudo de novo., então por favor, vá trabalhar e não dar trabalho. 
Não sei porque que comecei a falar sobre isso, juro que não iria tocar nesse assunto, cada qual tem o domingo que merece. Eu trocaria de boa uma segunda por dois sábados e duas quartas por duas sextas. Trocaria mesmo, sem remorso algum. Quem pode me ajudar com isso? Alguém? Mais alguém? Eu pago, pago mesmo juro, nem que eu tenha que passa 10x no cartão de crédito e preencher com o de debito ou então pedir um empréstimo a minha mae para pagar. É acho que ninguém pode me audae com isso, ninguém, never, nunca. 
O que nos resta é se acostumar com o domingo e com cada dia que antece o final de semana, acho melhor também não ter expectativa quanto a finais de semana, pois eles já se mostraram tao tedioso quanto as segundas e as terças e as quartas e ao resto. 
Então viva cada dia, cada qual, com leveza, parcimônia e acredite que depois de semanas corriqueiras teremis finais de semana épicos. É preciso amar mais o domingo e odiar menos a segunda-feira. Fica a dica. 














Eduardo Sousa

Só vou se você for

Dou um doce a cada pessoa se me falar que nunca ouviu um "só vou se tu for amigo(a). Lembrou desta frase né? Geralmente escutamos esta frase de pessoas dependentes da gente, pessoas que estão do nosso lado para o que der e vier, para uma maré ruim, para uma balada, para ir ao cinema ou simplesmente ir. 
Hoje, num domingo está sendo comemorado com frases clichês, frases prontas e textos digitados nas redes sociais o dia do amigo ou o dia do só vou se você for. Dai resolvi  escrever alguma coisa sobre isso, não sobre os textos, as declarações no Facebook, as fotos no Instagram e sim sobre os meus, as minhas, o meu conglomerado grupo de pessoas que me são solícitas para cada tipo de dia e que mesmo com a sua ausência fazem parte da minha vida. 
Quantos amigos tenho? Quem são meus amigos verdadeiros? Onde estão? Para onde foram? Teve um tempo da minha vida que me fiz bastante esta pergunta. Na falta de amores verdadeiros, bons amigos e um vinho basta. E sempre foi assim comigo, não sei se ainda será mas já foi. Tenho poucos amigos, bastante colegas e vários conhecidos. Mas amigos, friends, tenho poucos. Sou adepto da qualidade e não da quantidade. Fiz um apanhado dos amigos que já passarm pela minha vida. Amigos de infância, amigos de escola, de amigos de bares, de faculdade, de trabalho, de... 
Por mais que seus pais digam que os verdadeiros amigos sejam eles e que blá blá blá, precisamos ter alguém da nossa vive, na nossa mesma vibração, na mesma sintonia. Por mais que nossos pais tenham razão, é préciso ter alguem como saco de pancadas. 
Ser amigo é estar ao lado do outro, é segurar a outra ponta da corda, é ajudar a remar , ajudar a levar o barco para o raso e não deixá-lo afundar. Ser amigo é rir do outro quando preciso, é guardar os segredos impublicáveis, é mentir para salvar a pele do amigo, é ligar para a mãe do outro pedindo que ele vá dormir em sua casa, é chorar de rir por coisas bestas, enfim amigo é coisa para se guardar em baixo de sete chaves mesmo, como diz a música.
 Pois está aí o meu problema, acho que guardei tanto, guardei tão bem guardado que não encontro mais, uns se perderam no caminho, entraram em vidas que só tem duas retas: a cadeia ou o cemitério. Outros partiram cedo pelas contingências da vida, uns se afastaram pelo meu temperamento roxo ou por simplismente coisas do destino, outros se achegaram e encontraram um espaço no meu heart( desculpem os estrangeirismos, é que às vezes me prendo nos vícios de linguagem). Alguns ficaram nas lembranças da infância, nos jogos de esconde-esconde, nas corridas de bicicletas, nos jogos de tabuleiros. Outros ainda estão por vir. É o que eu espero, como já disse, na falta de um sapato pro seu pé, uma boa meia basta. Peço desculpas aos meus gatos pingados amigos pelo meu ciúme doentio, vocês são meus e de mais ninguém, nao de ouvido a maldade alheia e creia.... É preciso também salientar a importancia dos nossos amigos sábios e inteligentes: os livros, que tanto nos faz viajar sem sair de casa, nos dá conselhos e traz reflexões para praticar no cotidiano, esses são um dos meus melhores amigos. No futuro breve pretendo voltar aqui e contar sobre os meus novos amigos, essas novas pessoas que irão surgir no nosso caminho e fazer jus à palavra a-m-i-g-o. 










Eduardo Sousa

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Incólumes ao tempo


Quanto tempo faz que você não vê aquela pessoa? Quanto tempo faz que você não bebe aquele drink, que te faz repensar assuntos que na sobriedade são impensáveis? Quanto tempo faz que você deu o último abraço, que brigou pela última vez, que desligou o telefone na cara de alguem, que mandou alguem ir se f...? Quanto tempo faz que a vida é assim? Essa  eu me arrisco a responder. A vida é assim desde sempre, desde que o tempo é tempo, desde que horas são horas e esperas são esperas. O tempo não perdoa, ao contrário disso castiga severamente nós, meros mortais que dependem  dele e que fazem planos de uma vida inteira baseados no tempo, na duração dos segundos, nos ponteiros do relógio.
Eu já me acostumei com os ponteiros do relógio, e não faco como a música da Adriana ou Marisa diz, eu não conto as horas para te ver ate porque o 'te ver ' não existe, nem em imaginação, por mais fértil e inconstante que seja a minha.
É preciso domar o tempo, impor regras, porque se a gente deixa o tempo brincar com a gente, ele manda, escraviza e faz gato e sapato da gente. Lembra das perguntas que você fazia um tempo atrás? "Como eu vou ser daqui a dez anos? "E aí te pergunto: o tempo foi ou não foi capaz de te responder esse questionamento?Meu bem é preciso saber lidar com a passagem, com o passado, presente e o que ainda está por vir, são tempos de morangos,  tempos de cores, por mais que estejam cinzas, são cores.
Me dou bem com o tempo, em certas questões me atropelo, quero voltar a fita, recarregar o filme , mas aí já é tarde demais, o filme já esta sendo exibido e as cenas correm loucamente me fazendo pirar. Em outras ocasiões não, até me dou bem, consigo administrar o tempo.  Coloco a leitura em dias, faço ligações para números que estavam esquecidos por entres as minhas agendas velhas guardadas no fundo do meu guarda-roupa.  Marco encontros e saídas, cinemas, barzinhos, festas prives, enfim, me dou bem com o tempo. Acho que chegou no final da crônica, era isso que eu queria compartilhar com vocês. Não podemos ficar parados e deixar o tempo passar, não podemos passar incólumes a atualizacao dos dias, meses, anos e vidas. É preciso fazer tudo no seu devido tempo, como irei fazer agora, que já passa da meia noite e eu aqui escrevendo pelo celular, tendo Nara Leão como fundo musical. Ate breve, agora deixa eu ir que o tempo agora é das almas, misses.












Eduardo Sousa

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Não, não existe a sorte de um amor tranquilo

Quem me conhece sabe que arrumar quarto, por menor que seja (como o meu) não é nada agradável para mim, ainda mais quando ouso trocar alguns móveis de lugar, colocar a televisão ali, a cama pra outro lado etc. Mas se tem uma coisa que eu gosto e que acontece espontaneamente é descobrir coisas antigas que estão perdidas nas montanhas de livros, de papéis velhos e nas caixas decoradas com papel celofane roxo que eu guardo. É quase que igual a um baú sabe, mas não chega a tanto.
E no meio dessa bagunça toda estão as lembranças dos amores tortos que eu tive, dos relacionamentos relâmpagos, dos amores três por quatro, das emoções efêmeras. É tudo, tudo foi passageiro, passou rápido como um tiro de uma espingarda, foi como um trovão, vuuupt, passou. Entre os livros de história, geografia e a odiosa matemática, entre os cds e dvs young adult estão as agendas com papéis de bombons, com essência de perfume, com cartas de amor, com retalhos de paixão roubada, com uma pitadinha de desafeto atrelada à saudade. 
Me peguei pensando mais uma vez nessa loucura que é o amor, e finalmente cheguei a uma possível conclusão que pode aquietar o meu calejado coração, que de tanta chuva já pegou um resfriado e beira à carência. Mas o que me conforta que não sou o único nesta história, tem mais gente que desce comigo no mesmo ponto, na mesma parada, na mesma sintonia. Todo mundo, por mais rabujento, estressado, tímido, feio, bonito, caquético, teimoso que seja quer um amor verdadeiro, um amor que fique, que grude na pele feito tatuagem como diz a música do Chico, então isso já me traz uma sensação que não é boa, mas pelo menos tranquiliza um pouco sabe?
Nunca fui de ter muitos amores, ao contrário da minha turma de amigos e amigas que toda semana tinha um caso novo, um pra manhã, tarde e noite e eu queria um pelo menos para passar o meio dia. Arranjei alguns gatos pingados, que caíram na minha rede ou eu cai na rede deles? Nem eu sei explicar como aconteceu, mas aconteceu e passou, passou tão rápido que nem o perfume impregnou no meu travesseiro. No lugar disso ficou um cheiro insuportável de solidão, by alone in the night. Ficaram as lembranças, as mensagens enviadas pelo falecido msn, que tanto me ajudou quando eu precisava tomar a dose diária de algum caso. Lembro como se fosse hoje, ligando a web cam para presenciar o rosto da criatura que fazia o meu coração pulsar, quando o usuário ficava online, era uma festa interna, um rebuliço pelo simples fato de ter alguém, de ter um sapato pro pé. 
Mas falando sobre essa sorte de amor, não existe meu bem, meu bem, não existe a sorte de um amor tranquilo, se for tranquilo, se for normal, não é amor, não é o grande amor que a gente passa a vida toda esperando, nem aquele nosso primeiro amor, amor de quinze anos, quando a gente descobre o beijo, o abraço, o afeto, em que os hormônios ficam pulando feito pipocas na panela, isso é apenas o efeito de uma mísera paixão, amor mesmo deixa cicatrizes, amor de verdade faz você voar por entre as nuvens e o sentimento perdura por dias, meses, anos até que o acaso se encarregue de fazer o gran finale e que  o destino desfolhe as páginas escritas com tanta paciência.
Está aí outro ponto importante sobre o amor verdadeiro. O amor te deixa impaciente, te deixa com uma coceira, toda hora você quer falar com a pessoa amada, quer confidenciar segredos para ela, falar coisas que só ela deve saber. É a primeira pessoa que vem na sua cabeça quando planeja uma viagem, é a pessoa que te faz ter crises absurdas de ciúmes, sim sou adepto do ciúmes e acho que o ciúme é uma forma de protestar e de falar: "é meu e ninguém tasca". 
Mas para viver amores verdadeiros é preciso viver amores que não sejam verdadeiros mas que a gente pensa que são. Amores que venham pela metade, daqueles que não deixam saudades, que deixam apenas lembranças e a certeza de que não eram bons o suficiente.
Eu passei e ainda passo a minha vida toda atrás desse amor, onde está? onde está que não o vejo, ou será que não quero ver? Pensei ter encontrado aos quinze, mas não rolou por sermos de idades distantes e aquele velho clichê da idade que você já conhece. Pensei ter encontrado aos dezoito, mas não, era alarme falso, um falso amor que agora é estrangeiro em um país que não quero pronunciar o nome. Aos vinte me encontro aqui, escrevendo estas palavras, não sei para quem, para o quê, mas escrevo acreditando que viver um grande amor é questão de sobrevivência, de sobreviver ao cotidiano, a movimentação da cidade, a maldade alheia, a  todo revès que cai no nosso caminho. 
Super acredito em paixão à primeira vista, assim como acredito em ódio à primeira vista e vice versa, mesmo isso nunca ter acontecido comigo, pobre eu de mim. Um amor verdadeiro nasce, cresce , reproduz e no contrário dos outros, não morre. É preciso massagear os sinais do amor, é preciso cuidar, dar amor, dar banho, botar para dormir, só assim para ele não morrer.
Sei que ainda não existe a fórmula do amor e que nem existe a venda, mas de uma coisa tenho certeza de que quando existir eu compro, eu pego pra mim e náo largo mais. Meu bem, meu bem...









Eduardo Sousa

terça-feira, 15 de julho de 2014

Despertador gritante!




Sempre escuto as pessoas falarem que só acordam se os malditos despertadores tocarem bem em cima dos seus ouvidos, quase para deixá-los surdos, tirando-os do sono petrificado que estão.
Eu sou um dos, não os que acordam só com o despertador e sim com o sono petrificado. Tenho sérios problemas de sonambulismo, questão de médico, de remédio e blá blá blá, a última vez fui pego saindo de casa só de samba canção. Dormindo, abri a porta do meu quarto, peguei minha mochila, passei pelo corredor escuro, um breu e desci as escadas rumo à fantasia e ao mundo que só os que dormem acordados sabem. Por sorte minha mãe ouviu o barulho da fechadura e conseguiu me tirar a tempo da rua e me levou de volta para cama com toda a calma e paciência materna, se não fosse essa ajudinha de minha mãe, creio eu que não estaria aqui escrevendo essas coisas . 
Mas o fio da meada não é este e sim outro que corre. Estou falando das pessoas que só se acordam com o barulho insuportável do despertador. Eu não uso despertador, nem de relógio, nem celular, nem alarme, tenho medo de um dia desses colocar o alarme e sair correndo e passar direto e puf! cair da escada. Tenho o meu próprio despertador, além do meu organismo, do meu sistema já saber a hora certa de levantar e de colocar o pé no chão para mais um dia de coisas, de trabalho, de etecétera etecétera, tenho também o despertador humano que é a minha mãe.
Se eu digo "mãe preciso acordar às seis da manhã", ela já me acorda às cinco, com café preparado e com todas as regalias que o filho caçula merece. Não sou preso a um relógio louco, que fica apitando, gritando, vomitando todas as obrigações, é como se os despertadores dissessem: "vai trabalhar homem, vai trabalhar macho, hoje tu tem isso, hoje tu tem aquilo, corre, olha o ônibus, olha isso, olha aquilo lá". É insuportável, insuportável.
Os dedo correm para programa a surpresa fatídica e infernal que é o alarme. Seja naqueles relógios grandes de parede antigo, que faz um tan tan tão estrondoso que é possível acordar os cadáveres existentes em Marte, ou seja nos relógios de parede, pulso ou nos alarmes rabujentos dos celular. É rabujento mesmo, o barulho é como latido de cachorro, como grito de garça, de porco,  de galo , sei lá.
Não enho problema a quanto isso, enquanto eu tiver mi madre e meu sono pesado mas que acorda na hora que é para acordar não vou ter problemas e ter que que escutar os trim trim trim dos alarmes, nem acordar atordoado beirando cair da cama ou do décimo andar, se por acaso eu morasse no décimo andar.
Posso não sofrer com esse barulho irritante, mas preciso revelar uma coisa, um talo preso na garganta: eu odeio acordar cedo, odeio quando a minha humilde mãe me acorda com o maior humor e paciência que ela tema, Edu acorda filho, hora de trabalhar". Perco a paciência comigo mesmo, o acordar cedo é como um dilaceramento visceral, é como beber purgante, é como se acordar em um sonho gostoso, enquanto a isso, tem mais de um milhão de caracteres para serem escritos. Bái bái. 






Eduardo Sousa



terça-feira, 8 de julho de 2014

Au revoir hexa!


Ficar em frente a uma televisão durante noventa minutos, ainda mais assistindo um monte de homem correndo atrás de uma bola, apesar dos pesares, não é o meu forte. Mas hoje, semi final, decisivo, tenso, assisti essa derrocada da seleção brasileira. Entre a histeria da platéia, dos imperceptíveis e mínimos protestos, de campanhas eleitorais por começar, sete gols bate na rede brasileira e leva fãs fanáticos, sendo bem redundante, ao delírio.
Unhas são mordidas, massacradas, refrigerantes ou cerveja são engolidos bruscamente, descendo pelo canal digestivo do torcedor como um veneno que é usado para acalmá-lo. As meninas puxam os cabelos, tiram os esmaltes verde e amarelo, roem os sabugos de unhas, borram a maquiagem feita para acompanhar o mundial, enfim, dia de jogo da seleção é assim, adrenalina pura, palavrões saem da boca espontaneamente.
E foi assim que todos os ouvintes e presentes acompanharam a caída da seleção que tanto lutou para estar na final e agora lutará na concorrência pelo terceiro lugar no mundial de 2014.
Presencie muito falatório de jogo durante esses dias, eu que não curto muito a parada dei ate alguns palpites. E não é que eu acertei? Só que pela ironia do destino não estava participando de um bolão sequer, eu que nunca ganhei nem em rifa ou bingo de colégio.
Penso na dinheirama que a publicidade vai perder,no  tanto de gente que ficará frustrada e decepcionada com esse resultado surreal como o de hoje. Eu nunca imaginei que o Brasil perdesse assim de lavada, numa boa, em pouquíssimo tempo, a rede brasileira balançou cinco vezes, detalhe, só no primeiro tempo, no segundo mais dois gols da Alemanha e um único gol do Brasil para amenizar a humilhação de perder em casa. Vale ressaltar que foram gols xoxos, sem emoção, gols bestas, simples e que deu vitória aos alemães.
Foi possível perceber a tristeza na voz do narrador louco que é o Galvão Bueno, que desta vez não gritou goooool, até gritou mas foi um tanto decepcionado e por que não, acabado.
Mas para os futebolistas, amadores, fanáticos, nem tudo está perdido. A copa da Rússia vem aí, é só esperar mais alguns carnavais, algumas páscoas, uns natais que chega, demooooora mas chega. É hora de dar tchau para o título do hexa. Heil Hitler.






Eduardo Sousa

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Arte na Praça



A Praça do Ferreira guarda muita história, muita cultura, muita realidade e situações que ficam para sempre na memória dos milhares de transeuntes que passam por ela todos os dias. Guardo uma comigo, que é muito especial. Em meio aos senhores sentados nos bancos de madeira, anatômicos, ergonômicos, um ao lado do outro, encontrei Dona Lúcia, esta simpática senhorinha da foto, que pousou para mim, com um sorriso no rosto em frente ao simbólico relógio da praça, que é muito grande, só não maior que o Big Ben, em Londres, claro, mas para terras alencarinas, é um monumento grandioso e que já presenciou acontecimentos muito importantes para a história da cidade, sendo um pouco exagerado, épicos.

Por entre as minhas andanças à tardinha, aproveito para fazer uma atividade de Fotojornalismo. Dentre os diversos temas que estavam chacoalhando na minha cabeça, escolhi fotografar a Praça do Ferreira, visando mais o movimento cultural que acontece lá, toda a movimentação das artes de ruas e dos artistas independentes, alternativos e óbvio, talentosos. Tinha a certeza de estar no lugar e na hora certa.

Assim que cheguei à Praça, uma coisa de extraordinário estava acontecendo: não havia nenhum artista na rua, nenhum sequer, ninguém tocando flauta, nem zabumba, muito menos guitarra. Nenhum ser vivo pintando ou desenhando, cantando, dançando, encenando, nada, nothing. Digo para mim mesmo que pode ser por conta do horário, pois tinha chegado muito cedo à Praça, as lojas ainda estavam abrindo, as pessoas andavam depressa para irem aos seus trabalhos, outros dando uma fugidinha do ofício, indo apenas passear ou fazer comprar no Centro e eu com uma bolsa pesada com livros e uma câmera na preta com vermelho na mão, à espera de bons cliques, de bons personagens, de boas histórias. E nada. O tempo foi se esvaindo e nada, o sol ficava cada vez mais forte, não me atrevi a tirar os óculos escuros, pois se tirasse, perigava ficar cego instantaneamente, por conta da claridade solar.

O calor aumentava, o suor saia pelos poros da pele, o protetor solar teimava em derreter. A sede e a fome mandavam lembranças, assim como o desejo de mostrar um bom trabalho para o professor da disciplina. E eis que vejo lá no fundo uma figura prata, pensei imediatamente que fosse a estátua prateada que praticamente morava ali nas dependências da praça. Acertei, era sim, era a Dona Lúcia, a estátua prateada que com a sua simpatia e sorriso no rosto, apesar do sol, pousou para a minha câmera, feliz da vida. Compartilhou comigo a sua vida, em rápidos vinte minutos, fiquei sabendo de quase toda a sua vida, que trabalhava como estátua para arrecadar um dinheiro e tentar a vida em Sampa, a cidade frenética e borbulhenta, ah saudades de Sampa!

Não me atrevi a contar sobre mim, pois diante de suas histórias e conversas, as minhas sairiam perdendo feio, seria de 10 a 0, com certeza ela ganharia de goleada. Lembro como se fosse hoje, ela tirando o batom da bolsa para ficar mais bonita nas fotos, segundo ela, colocou mais tinta prata para esconder as rugas e abriu um sorriso que me contaminou com sua alegria. Tirei todas as fotos possíveis, escolhi as melhores e mostrei para a nota de fotojornalismo. Foi um dia lindo, encantador, Dona Lúcia, mora hoje nas minhas lembranças, nas lembranças da praça, das vidas e histórias de lá. Dona Lúcia, é uma arte viva na praça. 






Eduardo Sousa








sábado, 21 de junho de 2014

Sonho ultrajante


Não sei o que acontece comigo  nos dias de sextas-feiras, parece que uma coisa quer sair do meu corpo, uma força maior do que mesmo, não dá para controlar, mas daí vem a intensidades e as minhas limitações e tudo isso, toda essa garra, essa força e essa euforia é transformada em sonho, que muitas vezes são tão bons, mas tão cruéis ao mesmo tempo. 

É meu caro, cruéis sim, pois esta noite, me vi num precipício, quando ao acordar vi que tudo não bastava de um sonho, não passava de uma coisa da minha cabeça, da minha mente, do meu inconsciente. Tive inveja de mim no sonho, estava tão alegre, estava ao seu lado, deitado numa rede de tecido xadrez, numa varanda em uma casa de sol,  com a brisa do dia batendo nos nossos rostos e a nossa conversa que era permeada por risos, beijos, abraços, risos, conversas, gargalhadas, amassos. 

Mas tudo isso ficou para trás, quando ao acordar dei me conta de que não existia mais, que já existiu um dia na verdade, tudo do jeito do sonho, do mesmo jeito, na mesma vibração. Constei também no final do meu sonho surrealista de que o sonho tem o poder de unir quem está em continente diferente, não só continente territorial, mas também emocional, que não estão na mesma linha de raciocínio. Tenho dúvidas quanto ao o que iria acontecer no final do sonho, pois fui bruscamente acordado pelo toque do meu infernal do meu celular, que furou a minha bolha, que me trouxe de volta ao mundo, que fez os meus pés aterrizarem no chão. 

Agora, fico aqui, nessas brechas da vida, querendo ter outro sonho daquele, não ser interrompido por nada e nem ninguém, só para te ter novamente comigo, deitado, de lado, abraçados, esperando o tempo vagarosamente passar. Ter calma e paciência, não resolvem mais o problema. O caos não está sendo efêmero, muito pelo ao contrário, esta se tornando eterno, bem eterno. Enquanto não chegas, fico aqui te observando pela frestas da minha visão, pelos meus desejos e vontades tórridas, pelas lembranças pequeninas e felizes que em um verão, tivemos. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Santa paciência


Na porta do banheiro, o pai tenta convencer o filho de dois anos a tomar banho.

- Vamos, filho. Hora de ir pro chuveiro.
- Não, papai. Não quero.
- Mas tem que ir, filho.
- Por quê?
- Porque você está sujo.
- Por quê?
- Porque está suado.
- Por quê?
- Porque você estava correndo, brincando na rua...
- Por quê?
- Ai, meu Deus... Filho, vai pro chuveiro.
- Não, papai. Quero o meu baldinho. Cadê o meu baldinho?
- Que baldinho? Que história é essa de baldinho?
- O meu baldinho, papai. De encher de água.
- Ah, filho, tá no quarto. Depois o papai pega. Entre no chuveiro.
- Não, não. Quero meu baldinho. Vai pegar, papai.
- Daqui a pouco eu pego. Agora é hora de tomar banho.
- Não... meu baldinho... Quero agora.
- Vamos fazer assim. Você entra no chuveiro que eu vou buscar o baldinho. Certo?
- Não, papai. Cadê o baldinho? Pega ele.
- Meu filho, o papai já disse que vai buscar. Não pode ser tudo do jeito que você quer.
- Por quê?
- Porque tem hora pra tudo. E agora é hora de tomar banho.
- Por quê?
- Ah, não. Vai começar tudo de novo?! Chega. Entre no chuveiro.
- Espera. E o meu baldinho, papai?
- Já disse que vou pegar depois que você entrar no chuveiro. Tenha paciência.
- Papai, o que é paciência?
- Paciência é o que você não tem.
- Pai, o que é paciência?
- Ai, meu Deus do céu... Mais tarde eu explico, filho.
- Não, pai, não. O que é paciência?
- Hunf... Olhe, paciência é ter calma, fazer as coisas devagar, na hora certa, sem pressa. Entendeu?
- Sim, papai.
- Ótimo. Então agora entre logo no chuveiro.
- Calma, papai. Tenha paciência.







Eduardo Sousa

Um convite


Quando o vi pela primeira vez, algo me dizia que teria problemas. Não só por ser boa pinta, mas tinha algo ali me atraindo, eu não sei bem o quê Acompanhava seus movimentos (e eram muitos) de um lado para o outro enquanto mil absurdos vinham pela minha cabeça. Rapidamente eu me pedia para esquecer, era loucura. Algumas vezes eu sentia um incômodo da parte dele com a minha presença, tentava disfarçar com brincadeiras, mas não me olhava diretamente, vivia desviando. Por quê? Não era nada, só coisa da minha cabeça. 
E tudo seguia seu fluxo natural, como deveria ser. Até que, como num passe de mágica, naquele dia aconteceu. Um toque de pimenta e tudo mudou. Eu precisava lhe dizer algo, e disse. Para a minha surpresa, ele me disse também, e eu gostei muito do que ouvi. A conversa se desenrolou por horas....tantas e tantas coisas foram ditas. 
Estava tudo meio escondido naquelas palavras, e ao mesmo tempo tão exposto. Era tão natural e surpreendente, e transformou. E eu olhava e pensava que não era certo. Tantos impedimentos, proibições. O que a gente estava fazendo de errado? Não consegui parar, era mais forte do que eu, do que nós. 
Durante aqueles dias que se seguiram, a vida continuou. Mas era uma ansiedade dentro de mim, um desejo louco, feitiço. Eu precisava dele. E sabia que o teria. E isso tirou o meu sossego.
Era inevitável. Eu ia vê-lo novamente. Seria hilário e trágico ao mesmo tempo. Chegou o dia. Ele entrou aparentando firmeza, e eu agi como deveria ser. Aos olhos alheios, tudo estava como sempre. Antes, sempre havia passado rápido. Naquele dia, não. Foram longos minutos até chegar o momento de nos encararmos e resolvermos aquilo em definitivo. Quando pude olhar para ele de forma mais leve, já havia uma ironia ali, entre nós. Nada poderia ser percebido pelos outros, era proibido. E esse era nosso combustível.
Depois veio uma conversa boa; suco, coca cola, doce. Eu não conseguia pensar em mais nada que não fosse ele. Sentia como se ele estivesse me olhando por dentro, do avesso. Tinha um desejo enorme ali, mas estava implícito. A gente se queria muito e muito. 
Um convite, um pacto, uma mudança de lugar. Iríamos para o inferno juntos, então resolvemos esquecer as culpas. Eu senti frio no caminho, e ele rapidamente me esquentou. Um arrepio indescritível tomou conta do meu corpo, prevendo o que mais viria naquela noite. 
Chegamos. Lembro-me de ter olhado o local por alguns minutos. Quando pensei em comentar... 
Eu já estava nos braços, nos beijos. Tentei manter algum raciocínio, foi absolutamente em vão. Ele me jogou no sofá e seus beijos molhados me invadiram.. E agora eu que queria descrever aqui o que senti naquele momento. Não dá.  Se for para usar uma palavra: uso intenso. O gosto dele, o cheiro, o toque. Era coisa sem explicação. Tudo estava ali: desejo, proibição, perversão. passaram horas... E poderiam passar tantas outras, outros dias, outros meses. Não era proibido para mim. Dava vontade de esquecer todo o resto e viver daquele jeito.
E quando de repente a voracidade parou, ele apenas me olhou, sorriu, me abraçou e mudou a forma de beijar. E foi aí que eu me perdi. Me disse que era angústia, eu disse que era medo. Mais um abraço, com uma ternura que eu não queria. Algum tempo de aconchego , e  mais um pouco de perversão. Cogitamos morrer, ao menos estaríamos felizes. Juntos, a gente era só loucura. A madrugada nos fez companhia, junto com uma chuva forte e os clarões dos raios. Não precisava de mais nada. 
Acontece que agora, depois de tudo, sou só desassossego! 

Me perguntou tantas vezes quem eu era... e agora eu ando só querendo saber quem ele é...




Eduardo Sousa